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Um dia apenas para ver como a vida seria sem mim, carros velozes, luzes impetuosas, pessoas fugazes nas ruas, nada mudaria, o dia... seria dia. A noite moça, bela e formosa escuridão... sem fim... Daria para entrever as ações, insanas. As mesmas de antes, sem lamúrias. Porém agora, sem pudores... Cada pensamento abrupto, cheio de mentiras, Mas onde estarão as alegrias? Nos arredores... Fecharam-lhes as portas, para que a tristeza se instaurasse enfim. Fecho os olhos para tanta verdade. Ver e nada fazer, Melhor é fazer, sem nada saber. Não quero mais ir embora, quero voltar à realidade. Unir amor com vontade, Força e fé... Procurar nos cantos empoeirados, Restos de sanidade. Jogar a mobília fora, Remobiliar a casa, a vida, a mente. Ainda há tempo. Ser permanentemente estático, É não aceitar que a vida muda. É não mudar a roupa e sim os tons. Mudar é vencer, a cada dia, os ares pessimistas... Que nos impregnam e dão margens às atitudes fortes, cravadas na carne crua. Quero limpar a minha rua, que a tarde é de outono. Folhas caídas remontam minha existência calada, que agora quer gritar como se fosse uma criança muda, ao descobrir o articular dos sons. |
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| © Patrícia Boy | |||
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