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| Torre de Belém | |||
Como uma flor aquática, tão meiga, tão forte, a Torre insinua um movimento de ir para o mar. Vai, meu bem, vai buscar os oceanos, vai conhecer as terras que teus marujos descobriram. Ei-la, deusa das ondas, ágil guerreira, talvez, sonhando com o reino das amazonas, ou nas reminiscências dos ventos, dos perigos... Pequenina, de linhas delicadas, mostrando-se aos pontos cardeais, no mistério das Descobertas, que Deus me ilumine! Eu não creio que fossem simples homens, homens mortais, apenas homens, aqueles que ousaram lançar-se pelos mares, a infiltrar-se no infinito. Simples homens não eram: marinheiros, campônios, desgarrados, senhores. Homens simples não eram, visionários, poetas, na aventura do futuro, Suas vozes, seus medos, esperanças, suas mentes, todas, todas, circundam a Torre como um grande espelho do abraço imantado desde aqui, desde estes ventos, ao mundo nunca antevisto. Prêmio Portugal Poemas, 1996 - UFJF |
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| © Joséllia Costandrade | |||
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